O
ULISSES (abraça) D.
AFONSO
HENRIQUES
(a metáfora
das origens ou o avesso da história?)
Ulisses vivia numa ilha grega
que se chamava Ítaca, com a sua mulher Penélope e o seu filho Telémaco. Era um
rei diferente, que gostava de caçar e conversar com o seu povo.
De espírito irrequieto e
aventureiro, quando estava em casa só pensava em ir ao encontro de aventuras,
do desconhecido, pois o que o entusiasmava era o mar...só o mar...o mar...
Segundo uma lenda, Ulisses,
nas suas viagens, veio ao território ibérico do litoral Atlântico e fundou no
Tejo uma cidade Ulissipo, hoje Lisboa.
“Este, que
aqui aportou,
Foi por
não ser existindo.
Sem
existir nos bastou.
Por não
ter vindo foi vindo
E nos
creou.”
(...)
in Mensagem, Fernando Pessoa
“Este, que aqui aportou"- referência a Ulisses,
herói lendário da Odisseia e fundador mítico de Lisboa, onde teria aportado
numa das suas navegações ("Lisboa" deriva de Olisippo e Ulixbona- em cuja raiz
alguns crêem ver o nome de Ulisses ou Odisseus).
D. Afonso I de Portugal, mais conhecido por Dom Afonso
Henriques (Guimarães ou Viseu, 1109 (?) —
Coimbra, 6 de Dezembro de 1185)
foi o fundador do Reino de Portugal e
primeiro Rei dos portugueses, cognominado O Conquistador, O Fundador
ou O Grande pela fundação do reino e
pelas muitas conquistas.
Em 1139, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente
mouro, D.
Afonso Henriques proclamou-se rei de Portugal com o apoio das suas
tropas. A independência portuguesa foi reconhecida em 1143 pelo tratado de
Zamora.
Com a pacificação interna, prosseguiu as conquistas aos mouros,
empurrando as fronteiras para sul, desde Leiria ao Alentejo, mais que
duplicando o território que herdara.
Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho
de Henrique»,
tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali («o Português»).
O papa, contudo, limitou-se a tratá-lo por Dux.
Pela Bula "Manifestis Probatum" de 23 de Maio de 1179,
o papa Alexandre III conferiu a D. Afonso Henriques o direito de conquista de
terras aos muçulmanos sobre as quais outros príncipes cristãos não tivessem
direitos anteriores e foi nesta bula que, pela primeira vez, D. Afonso
Henriques foi designado como rei.
De referir, ainda, o papel das ordens religiosas militares, dos
Templários, dos Hospitalários e de Sant'Iago, que tiveram na reconquista.
D. Afonso Henriques retribuiu esses serviços com avultadas concessões.
Faleceu a 6 de Dezembro de 1185, após um governo de mais de 57 anos e
foi sepultado na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, onde ainda hoje, dizem os
historiadores, permanecem os seus restos mortais.
GUIMARÃES, BERÇO muito FOFINHO e
ACOLHEDOR da Nacionalidade, CAPITAL
EUROPEIA DA CULTURA, em 2012!
Linda e fantástica INAUGURAÇÃO em 21-1-2012, festejada com pompa muito
nacional e circunstância europeia e internacional.
O eleito e republicano hino nacional, no tempo imbélico e ledamente
bélico nas guerras nacionais quase civis e prematuramente globais, canhões,
canhões a marchar, marchar, torpedos, corvetas, submarinos bárbaros e
estranhamente púnicos, mas muito submersos e aquaticamente absoletos,
narcísicos uns nas margens e praias poluídas ribanceiras ao Tejo e outros mais
atrevidos, servilmente marinados à espera de novas águas atlânticas ou índias
fingidas, mais raras e mediterraneamente quiméricas para a subsistência dos
heróicos timoneiros, suas elites e prole terrena de vão e inglório sonho!
As termas, nas praias microclimáticas e mui frequentadas aos
fins-de-semana por D. Maria I e II, odoríficas e recheadas de lagostas mil (é histórico, dado que ainda hoje se
encontram vestígios das carcaças aos montes) nas sulfurosas águas, moinhos
de maré e de vento de outrora, “palácios,
ditos construídos da “merda” trazida de Lisboa em troca de produtos levados do
Ribatejo e Alentejo”, veja-se o grande e arruinado palácio “ da merda”,
diz-se, em Coina, Seixal, perto da escola dos fuzileiros da Marinha
Portuguesa em Vale de Zebro, concelho do Barreiro com os seus gigantescos
artefactos coloniais e memórias de hecatombes
da história portuguesa em tempos de guerra e paz, mas tristemente inoportunos
para os seus requintados e ortodoxos chefes.
Os mais altos representantes da República, do Parlamento, da Comissão
Europeia, Autarquias e cidades vizinhas.
Um pedacinho do verde e imaturo suíço Minho, de Portugal, da Europa em
terras do histórico, genealógico e conquistador monarca!
Um abraço histórico digno de aplauso e registo para a posteridade.
Desde as antiquadas caravelas quinhentistas que não se via
um gesto tão bonito e carinhoso… carago!
Mas, Ulisses, descontente e assustado com tantos
naufrágios no medi-terraneum, outros mares e rios poluídos, carência de
golfinhos, tubarões, barcos e submarinos hibernados, canas de pesca sem anzol
minhoca ou isco, insatisfeito e fatigado de olhar perdidamente para o seu Tejo,
em Belém, sem as belas e sedutoras sereias, as barcaças do passado e o Velho do
Restelo forçosamente exilado e senil, muito excitado e revoltado com aquelas
pouco transparentes e pantanosas águas, decide imigrar, aconselhado pelo seu
divino Zeus e divisadas pitonisas, rumo ao Norte, não no seu frágil barco à
vela, mas troteando um valente cavalo árabe, pois o garanhão lusitano está
doente e prestes a ser vendido ao desbarato para pagamento de dívidas
acumuladas, lança-se saudosa e apaixonadamente nos braços quentes e afáveis de
D. Afonso Henriques.
Foi deveras emocionante tal recepção! Todos os meios de
comunicação social nacional e internacional o registaram até altas horas da
madrugada. Diziam as suas belas acompanhantes, que a festa iria prolongar-se
por intermináveis dias, tal foi o desejado encontro e os aposentos cedidos.
E, mais, vem com ideias de transferir a Capital do Império para outro sítio mais
arejado, verde e fresco da montanha, longe do bulício poliglótico, étnico,
instável e megalómano da grande e nobre Ulisseia, pois confessa-se farto de se
esconder e permanecer nas caves e rés-dos-chãos mal cheirosos dos aposentos
monárquicos e republicanos.
De facto, o seu humor transtornado revela inconsciente
tristeza e dissabor acumulados.
Sussurram os seus mais próximos colaboradores que a
comitiva se deslocou de locomotiva a carvão uns e outros de TGV que, desde há
uns tempos anda bastante abatido com a rotina da planície, do casario, da
ausência de árvores, das sete colinas, das capelas e catedrais demasiado
berrantes, da profundidade do metro e do cais das colunas, das discotecas de
Alcântara e avenida 24 de Junho, da Expo 94, das pontes do Infante tão
comprida, esguia e distante da 25 de Abril, das cheias do Tejo e terramotos
pombalinos, enfim das meretrizes de Monsanto e do Bairro Alto, do centralismo
político, económico, cultural, da diplomacia e política em geral, dos jogos e
contra - jogos de poder, do servilismo e compadrio e, veja-se, também, das
burlas, fraudes, corrupção, contos do vigário e vigários, do buraco financeiro,
sobreendividamento, despesismo e, ainda – vê-se bem que não gosta de doçarias
conventuais - os mundialmente conhecidos pastéis de Belém, perto da morada do
chefe da República com muitos cavalos resguardado, dizia ele, dado que já não
têm o mesmo sabor de outrora, apesar de se fabricarem junto do moderno Centro
Cultural de Belém e monastério dos Jerónimos – gente séria e devota, diga-se.
Desejo-lhe boa e reconfortante estada em terras
vimaranenses junto do seu histórico, aventureiro e conquistador amigo Afonso Henriques.
Conversem dia e noite, passeiem a pé e a cavalo pelas
calçadas, ruas medievais, pavoneiem-se pelo largo do Toural e terras
adjacentes, desenferrujem os artefactos da cutelaria tradicional, os cutelos,
facas, foices, gadanhos, forcados, lanças e espadas, todas as ferramentas em
desuso ou até à data pouco utilizadas, façam montarias e ceias medievais,
banhem-se e lavem a minhoca no rio Ave ou frequentem as saudáveis e milagrosas
termas vizinhas, se quiserem orar subam a pé ou de teleférico até à senhora da
Penha com vistas únicas e paradisíacas sem canudo, mas também vos advirto
civilizadamente, não façam desgraças nem marotices na minha vizinha terra, pois
aí terão a ver com a contas da Justiça de Fafe!
Ó, ai, ai, ai!
Joaquim Afonso
