Crónicas e Reflexões

sábado, 20 de setembro de 2014

O ULISSES (abraça) D. AFONSO HENRIQUES



O ULISSES (abraça) D. AFONSO
HENRIQUES

(a metáfora das origens ou o avesso da história?)
 



Ulisses vivia numa ilha grega que se chamava Ítaca, com a sua mulher Penélope e o seu filho Telémaco. Era um rei diferente, que gostava de caçar e conversar com o seu povo.
De espírito irrequieto e aventureiro, quando estava em casa só pensava em ir ao encontro de aventuras, do desconhecido, pois o que o entusiasmava era o mar...só o mar...o mar...
Segundo uma lenda, Ulisses, nas suas viagens, veio ao território ibérico do litoral Atlântico e fundou no Tejo uma cidade Ulissipo, hoje Lisboa.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos creou.”
(...)

in Mensagem, Fernando Pessoa


Este, que aqui aportou"- referência a Ulisses, herói lendário da Odisseia e fundador mítico de Lisboa, onde teria aportado numa das suas navegações ("Lisboa" deriva de Olisippo e Ulixbona- em cuja raiz alguns crêem ver o nome de Ulisses ou Odisseus).

D. Afonso I de Portugal, mais conhecido por Dom Afonso Henriques (Guimarães ou Viseu, 1109 (?) — Coimbra, 6 de Dezembro de 1185) foi o fundador do Reino de Portugal e primeiro Rei dos portugueses, cognominado O Conquistador, O Fundador ou O Grande pela fundação do reino e pelas muitas conquistas.

Em 1139, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente mouro, D. Afonso Henriques proclamou-se rei de Portugal com o apoio das suas tropas. A independência portuguesa foi reconhecida em 1143 pelo tratado de Zamora.

Com a pacificação interna, prosseguiu as conquistas aos mouros, empurrando as fronteiras para sul, desde Leiria ao Alentejo, mais que duplicando o território que herdara.

Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali («o Português»).

O papa, contudo, limitou-se a tratá-lo por Dux.

Pela Bula "Manifestis Probatum" de 23 de Maio de 1179, o papa Alexandre III conferiu a D. Afonso Henriques o direito de conquista de terras aos muçulmanos sobre as quais outros príncipes cristãos não tivessem direitos anteriores e foi nesta bula que, pela primeira vez, D. Afonso Henriques foi designado como rei.

De referir, ainda, o papel das ordens religiosas militares, dos Templários, dos Hospitalários e de Sant'Iago, que tiveram na reconquista.

D. Afonso Henriques retribuiu esses serviços com avultadas concessões.

Faleceu a 6 de Dezembro de 1185, após um governo de mais de 57 anos e foi sepultado na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, onde ainda hoje, dizem os historiadores, permanecem os seus restos mortais.


GUIMARÃES, BERÇO muito FOFINHO e ACOLHEDOR da Nacionalidade, CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA, em 2012!


Linda e fantástica INAUGURAÇÃO em 21-1-2012, festejada com pompa muito nacional e circunstância europeia e internacional.


O eleito e republicano hino nacional, no tempo imbélico e ledamente bélico nas guerras nacionais quase civis e prematuramente globais, canhões, canhões a marchar, marchar, torpedos, corvetas, submarinos bárbaros e estranhamente púnicos, mas muito submersos e aquaticamente absoletos, narcísicos uns nas margens e praias poluídas ribanceiras ao Tejo e outros mais atrevidos, servilmente marinados à espera de novas águas atlânticas ou índias fingidas, mais raras e mediterraneamente quiméricas para a subsistência dos heróicos timoneiros, suas elites e prole terrena de vão e inglório sonho!


As termas, nas praias microclimáticas e mui frequentadas aos fins-de-semana por D. Maria I e II, odoríficas e recheadas de lagostas mil (é histórico, dado que ainda hoje se encontram vestígios das carcaças aos montes) nas sulfurosas águas, moinhos de maré e de vento de outrora, “palácios, ditos construídos da “merda” trazida de Lisboa em troca de produtos levados do Ribatejo e Alentejo”, veja-se o grande e arruinado palácio “ da merda”, diz-se, em Coina, Seixal, perto da escola dos fuzileiros da Marinha Portuguesa em Vale de Zebro, concelho do Barreiro com os seus gigantescos artefactos coloniais e memórias de hecatombes da história portuguesa em tempos de guerra e paz, mas tristemente inoportunos para os seus requintados e ortodoxos chefes.


Os mais altos representantes da República, do Parlamento, da Comissão Europeia, Autarquias e cidades vizinhas.


Um pedacinho do verde e imaturo suíço Minho, de Portugal, da Europa em terras do histórico, genealógico e conquistador monarca!

Um abraço histórico digno de aplauso e registo para a posteridade.

Desde as antiquadas caravelas quinhentistas que não se via um gesto tão bonito e carinhoso… carago!


Mas, Ulisses, descontente e assustado com tantos naufrágios no medi-terraneum, outros mares e rios poluídos, carência de golfinhos, tubarões, barcos e submarinos hibernados, canas de pesca sem anzol minhoca ou isco, insatisfeito e fatigado de olhar perdidamente para o seu Tejo, em Belém, sem as belas e sedutoras sereias, as barcaças do passado e o Velho do Restelo forçosamente exilado e senil, muito excitado e revoltado com aquelas pouco transparentes e pantanosas águas, decide imigrar, aconselhado pelo seu divino Zeus e divisadas pitonisas, rumo ao Norte, não no seu frágil barco à vela, mas troteando um valente cavalo árabe, pois o garanhão lusitano está doente e prestes a ser vendido ao desbarato para pagamento de dívidas acumuladas, lança-se saudosa e apaixonadamente nos braços quentes e afáveis de D. Afonso Henriques.

Foi deveras emocionante tal recepção! Todos os meios de comunicação social nacional e internacional o registaram até altas horas da madrugada. Diziam as suas belas acompanhantes, que a festa iria prolongar-se por intermináveis dias, tal foi o desejado encontro e os aposentos cedidos.


E, mais, vem com ideias de transferir a Capital do Império para outro sítio mais arejado, verde e fresco da montanha, longe do bulício poliglótico, étnico, instável e megalómano da grande e nobre Ulisseia, pois confessa-se farto de se esconder e permanecer nas caves e rés-dos-chãos mal cheirosos dos aposentos monárquicos e republicanos.

De facto, o seu humor transtornado revela inconsciente tristeza e dissabor acumulados.

Sussurram os seus mais próximos colaboradores que a comitiva se deslocou de locomotiva a carvão uns e outros de TGV que, desde há uns tempos anda bastante abatido com a rotina da planície, do casario, da ausência de árvores, das sete colinas, das capelas e catedrais demasiado berrantes, da profundidade do metro e do cais das colunas, das discotecas de Alcântara e avenida 24 de Junho, da Expo 94, das pontes do Infante tão comprida, esguia e distante da 25 de Abril, das cheias do Tejo e terramotos pombalinos, enfim das meretrizes de Monsanto e do Bairro Alto, do centralismo político, económico, cultural, da diplomacia e política em geral, dos jogos e contra - jogos de poder, do servilismo e compadrio e, veja-se, também, das burlas, fraudes, corrupção, contos do vigário e vigários, do buraco financeiro, sobreendividamento, despesismo e, ainda – vê-se bem que não gosta de doçarias conventuais - os mundialmente conhecidos pastéis de Belém, perto da morada do chefe da República com muitos cavalos resguardado, dizia ele, dado que já não têm o mesmo sabor de outrora, apesar de se fabricarem junto do moderno Centro Cultural de Belém e monastério dos Jerónimos – gente séria e devota, diga-se.

Desejo-lhe boa e reconfortante estada em terras vimaranenses junto do seu histórico, aventureiro e conquistador amigo Afonso Henriques.

Conversem dia e noite, passeiem a pé e a cavalo pelas calçadas, ruas medievais, pavoneiem-se pelo largo do Toural e terras adjacentes, desenferrujem os artefactos da cutelaria tradicional, os cutelos, facas, foices, gadanhos, forcados, lanças e espadas, todas as ferramentas em desuso ou até à data pouco utilizadas, façam montarias e ceias medievais, banhem-se e lavem a minhoca no rio Ave ou frequentem as saudáveis e milagrosas termas vizinhas, se quiserem orar subam a pé ou de teleférico até à senhora da Penha com vistas únicas e paradisíacas sem canudo, mas também vos advirto civilizadamente, não façam desgraças nem marotices na minha vizinha terra, pois aí terão a ver com a contas da Justiça de Fafe!

Ó, ai, ai, ai!




Joaquim Afonso


 

1 comentário:

  1. Na infeliz imiência do completo desaparecimento da legítima e orgulhosa identidade lusitânea, hoje deparámo-nos introspectivos à espera de que renasça um Afonso Henriques e restaure o que entregamos de forma deliberada e inconsequente nas mãos de falsos portuguêses. És o maior de todos D. Afonso Henriques.

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