MICRO - E P Í S T U LA
(idiotices dum hagiógrafo?)
Divinamente
inspirado pelas estrelas e pelo irmão sol, o minor apóstulu e apócrifo (inter pares)
vem humildemente, neste tempo e neste período conturbado, dirigir-se aus seus
fratelli dispersus ou em diáspura por terras lusitanas e pur grassas e óbera de
alguns carolas destemidus. Talvez em vernáculo, no dialectu de Viriatus se
diga, uns apóstolo-zitos aventureiros e dissidentes próximus-remotus dumas
castas indefinidas e extintas de celtas, suevus, visigodus ou ibéru-esmaelitas
fundidos in nillo tempore ou andantes errantes. Quais camelos sem deserto, sem
oásis e sem miragens, espécies estranhas de antanho, serracenus ou raianus
confundidos nus puntos culaterais e cardiais de terras lusas, presentes e além
fronteiras, ou talvez filhos bastardos e pseudo-humanizados da luba rumana,
intemperadus pela penúria das oito tetas tesas e inchadas e pelo destinu amargu
e doce, que sempre conduz à plena felicidade dus sentidus, dus que aspiram e
inspiram o éter inebriante dus deuses, du olimpus estelar e multicolor. Tão
ausentes de nós au longu deste térreo e míseru itineráriu e tão próximus dus
que nus estão distantes, imãos desabindus e desejosos do óciu e da miraculosa
terra prometida.
Sei
que estais ávidus de um novo capítulo versus reencontro, um novo acampamento à
maneira do infortunado e imortal Camões, numa ilha paradisíaca ou no meio duma
sarsa ardente, há muito o solicitais, mas sabei também u quão é difícil reunir
carneiros tresmalhados e matizados pelo rodar do tempo.
Onde
param os carneiros dispersos do redil? Será que alguma sereia ou ovelhinha mais
vaidosa e ardilosa os seduziu? Una voz, em sonhos me terá dito que foram encontrados
e identificados algures vestígios de alguns, depois de inúmeras diligências du
apostulu maior. Consta-se que brevemente serão sujeitos a julgamento sumário.
Reuni-vus,
hermanos, algures em terras du benditu, não importa a distância, utilizai as
máquinas e a imaginação, rugai a ele, inspirai-vus e demandai até às cavernas
Buçaquianas ou Lusas. Talvez em mudernus apusentus rupestres, na Mea-lhada,
vulgo Leitonada e saboreai o coxo. Dádiva e criação humano-divina e tão adoradu
pelus fãs em peregrinações alucinantes, imitando os anciãos conquistadores,
acolitados pelo néctar da parra (vulgo Baco), que a Noé deu tanto inspiração para
ser o nosso primordial timoneiro e primeiro exemplo. Responsável da barcassa em
águas diluvianas, mas que teve a primazia, a inteligência e o bom senso de salvar
o dito bixaroco para a posteridade e outros de menor importância mundial para
que nós.
Hoje
e também amanhã o saboreássemos, depois de passar u nirvana fumosu e ter sido
sujeitos a todos os exames e interrogatórios, sem defesa de Fafe, adornadu de condimentos
mil e medalhadu, qual general na pré-reserva, com o selu da cualidade e da
distinção.
É
um privilégio singular, irmãos dispersus e agora pré-reunidos pelas intenções
do nosso maior, antes do toque das trindades, em tão sacrossantu santuáriu, motivadus
pelu deseju oculto e oposto ao cérebru e fortalecedor das vossas e nossas
entranhas, umas mais dilatadas pelo tempo e outras acusando as carências e
penúria, de tão longo dilúviu e dos novos tempos, exortar-vos a fortalecer-vos
na privação e na esperança.
Mas
a parra é u sinal de que nos salvamus… que u testemunhe a nossa mãe Eva. Só
assim pudemus ser fortalecidus na comunidade e na sulidariedade, digo-vus
irmãos: João das Ccaldinhas, Colaço dos Blogues e das sinuosas calçadas
lisboetas, Agostinho do Pau de Fafe e Agostinho de Abiúl e Coimbra, Carlos Rito
(não o de Bizâncio, mas do Souto), Firmino de Pombal, Zé Ribeiro (chá-preto) e
Lino (gaulês) e outros cuja memória, talvez devido à minha senectude e provecta
idade não menciono.
Talvez
estejam em palhinhas deitados ou longe do objectivo e dus seus pares ou
pregando em terras pagãs e gentias. Que a longa jornada não altere o vossu
propósito e a vossa gula, saboreai os bens de deus e da natureza, pecai muito,
pois a misericórdia do altíssimo é infinita e o seu manto é clementíssimo e
proteger-vos-á no seu aconchego refugium peccatorum.
Bradai
às estrelinhas do céu, às avezinhas do firmamento, aos peixinhos do oceano quão
bom é estarmos e permanecermos todos reunidos, nu cenáculo virtual e quão bom
seria permanecermos in aeternum neste olimpu, em tendas que albergassem todos
os ausentes famintos de felicidade e desejosos de tão saborosus manjares. Prenúncio
do céu a que todos aspiramus um dia, depois de passarmos este vale de lágrimas
à porta inferi, rumu au infinitu.
Que
toda a orbe, todo o universo, toda a criação rejubile de encanto com a vossa
presença neste santuarium, penumbra divina.
Não
vos massu mais, caríssimus irmãos, nesta hora e nestes tempos difíceis que
atravessamos. Exorto-vos a vacinarem-se atempadamente contra todos os vírus da
crise, os seus autores e mentores e rogo-vos ainda, não acreditem em filosofias,
quimeras e vendavais!
Apelo
à vossa paciência heróica, matai a resignação, controlai a fúria, mas se vos
sentirdes impacientes, revoltai-vos, não contra este vosso irmão e esta
comunidade, mas contra o sistema.
Permanecei
firmes e hirtus, guiai com atenção, endireitai as veredas, aplanai caminhos
tortuosos, combatei o inimigo, vigiai dia e noite, dai uma face e uma mão, amai
a irmã natureza e os seus frutos, comei o que vos oferecerem – o que nacional é
bom!!! – não regateeis por um cêntimo ou euro, sede fortes, bebei até à
exaustão, bufai ao balão, mas não pactueis com os escravos, pois estes não
entram no reino da falicidade e assim recebereis as palmas e louros reservadas
para vós, in saecula saeculorum.
Enfim…
Gostava
de vos confortar ainda mais, mas sei que us vossus afazeres requerem a vossa
solicitude. Não vos apoquentu mais, nesta hora de expectativa e nestes dias de
graça... As vossas comunidades esperam-vus ansiosamente e exigem a vossa
presença.
Prezado
irmão, que o cheiru diluído das velas e os aromas com que adornaste o teu
santuarium se espalhem pelas tuas narinas e pelu firmamentum e te toque a
sensibilidade e o alto imperativo da marcha.
Do
vosso irmão apóstulu minor, algures em terras medievais, devidamente inspirado,
saudações fraternas!
Oh,
ai, ó lindo!
Joaquim Afonso
P.S
Escrito já com algumas adaptações ao "novo acordo ortográfico"