Crónicas e Reflexões

terça-feira, 29 de abril de 2014

IDIOTICES DUM HAGIÓGRAFO?





MICRO - E P Í S T U LA
(idiotices dum hagiógrafo?)



Divinamente inspirado pelas estrelas e pelo irmão sol, o minor apóstulu e apócrifo (inter pares) vem humildemente, neste tempo e neste período conturbado, dirigir-se aus seus fratelli dispersus ou em diáspura por terras lusitanas e pur grassas e óbera de alguns carolas destemidus. Talvez em vernáculo, no dialectu de Viriatus se diga, uns apóstolo-zitos aventureiros e dissidentes próximus-remotus dumas castas indefinidas e extintas de celtas, suevus, visigodus ou ibéru-esmaelitas fundidos in nillo tempore ou andantes errantes. Quais camelos sem deserto, sem oásis e sem miragens, espécies estranhas de antanho, serracenus ou raianus confundidos nus puntos culaterais e cardiais de terras lusas, presentes e além fronteiras, ou talvez filhos bastardos e pseudo-humanizados da luba rumana, intemperadus pela penúria das oito tetas tesas e inchadas e pelo destinu amargu e doce, que sempre conduz à plena felicidade dus sentidus, dus que aspiram e inspiram o éter inebriante dus deuses, du olimpus estelar e multicolor. Tão ausentes de nós au longu deste térreo e míseru itineráriu e tão próximus dus que nus estão distantes, imãos desabindus e desejosos do óciu e da miraculosa terra prometida.

Sei que estais ávidus de um novo capítulo versus reencontro, um novo acampamento à maneira do infortunado e imortal Camões, numa ilha paradisíaca ou no meio duma sarsa ardente, há muito o solicitais, mas sabei também u quão é difícil reunir carneiros tresmalhados e matizados pelo  rodar do tempo.

Onde param os carneiros dispersos do redil? Será que alguma sereia ou ovelhinha mais vaidosa e ardilosa os seduziu? Una voz, em sonhos me terá dito que foram encontrados e identificados algures vestígios de alguns, depois de inúmeras diligências du apostulu maior. Consta-se que brevemente serão sujeitos a julgamento sumário.

Reuni-vus, hermanos, algures em terras du benditu, não importa a distância, utilizai as máquinas e a imaginação, rugai a ele, inspirai-vus e demandai até às cavernas Buçaquianas ou Lusas. Talvez em mudernus apusentus rupestres, na Mea-lhada, vulgo Leitonada e saboreai o coxo. Dádiva e criação humano-divina e tão adoradu pelus fãs em peregrinações alucinantes, imitando os anciãos conquistadores, acolitados pelo néctar da parra (vulgo Baco), que a Noé deu tanto inspiração para ser o nosso primordial timoneiro e primeiro exemplo. Responsável da barcassa em águas diluvianas, mas que teve a primazia, a inteligência e o bom senso de salvar o dito bixaroco para a posteridade e outros de menor importância mundial para que nós. 



 
Hoje e também amanhã o saboreássemos, depois de passar u nirvana fumosu e ter sido sujeitos a todos os exames e interrogatórios, sem defesa de Fafe, adornadu de condimentos mil e medalhadu, qual general na pré-reserva, com o selu da cualidade e da distinção.

É um privilégio singular, irmãos dispersus e agora pré-reunidos pelas intenções do nosso maior, antes do toque das trindades, em tão sacrossantu santuáriu, motivadus pelu deseju oculto e oposto ao cérebru e fortalecedor das vossas e nossas entranhas, umas mais dilatadas pelo tempo e outras acusando as carências e penúria, de tão longo dilúviu e dos novos tempos, exortar-vos a fortalecer-vos na privação e na esperança.

Mas a parra é u sinal de que nos salvamus… que u testemunhe a nossa mãe Eva. Só assim pudemus ser fortalecidus na comunidade e na sulidariedade, digo-vus irmãos: João das Ccaldinhas, Colaço dos Blogues e das sinuosas calçadas lisboetas, Agostinho do Pau de Fafe e Agostinho de Abiúl e Coimbra, Carlos Rito (não o de Bizâncio, mas do Souto), Firmino de Pombal, Zé Ribeiro (chá-preto) e Lino (gaulês) e outros cuja memória, talvez devido à minha senectude e provecta idade não menciono.

Talvez estejam em palhinhas deitados ou longe do objectivo e dus seus pares ou pregando em terras pagãs e gentias. Que a longa jornada não altere o vossu propósito e a vossa gula, saboreai os bens de deus e da natureza, pecai muito, pois a misericórdia do altíssimo é infinita e o seu manto é clementíssimo e proteger-vos-á no seu aconchego refugium peccatorum.

Bradai às estrelinhas do céu, às avezinhas do firmamento, aos peixinhos do oceano quão bom é estarmos e permanecermos todos reunidos, nu cenáculo virtual e quão bom seria permanecermos in aeternum neste olimpu, em tendas que albergassem todos os ausentes famintos de felicidade e desejosos de tão saborosus manjares. Prenúncio do céu a que todos aspiramus um dia, depois de passarmos este vale de lágrimas à porta inferi, rumu au infinitu.

Que toda a orbe, todo o universo, toda a criação rejubile de encanto com a vossa presença neste santuarium, penumbra divina.

Não vos massu mais, caríssimus irmãos, nesta hora e nestes tempos difíceis que atravessamos. Exorto-vos a vacinarem-se atempadamente contra todos os vírus da crise, os seus autores e mentores e rogo-vos ainda, não acreditem em filosofias, quimeras e vendavais!

Apelo à vossa paciência heróica, matai a resignação, controlai a fúria, mas se vos sentirdes impacientes, revoltai-vos, não contra este vosso irmão e esta comunidade, mas contra o sistema.

Permanecei firmes e hirtus, guiai com atenção, endireitai as veredas, aplanai caminhos tortuosos, combatei o inimigo, vigiai dia e noite, dai uma face e uma mão, amai a irmã natureza e os seus frutos, comei o que vos oferecerem – o que nacional é bom!!! – não regateeis por um cêntimo ou euro, sede fortes, bebei até à exaustão, bufai ao balão, mas não pactueis com os escravos, pois estes não entram no reino da falicidade e assim recebereis as palmas e louros reservadas para vós, in saecula saeculorum.

Enfim…

Gostava de vos confortar ainda mais, mas sei que us vossus afazeres requerem a vossa solicitude. Não vos apoquentu mais, nesta hora de expectativa e nestes dias de graça... As vossas comunidades esperam-vus ansiosamente e exigem a vossa presença.

Prezado irmão, que o cheiru diluído das velas e os aromas com que adornaste o teu santuarium se espalhem pelas tuas narinas e pelu firmamentum e te toque a sensibilidade e o alto imperativo da marcha.
Do vosso irmão apóstulu minor, algures em terras medievais, devidamente inspirado, saudações fraternas!

Oh, ai, ó lindo!


Joaquim Afonso

P.S Escrito já com algumas adaptações ao "novo acordo ortográfico"






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