Crónicas e Reflexões

sexta-feira, 8 de maio de 2015

FREI JOAQUIM MONTEIRO.

FREI JOAQUIM MONTEIRO.


FORMAR NA LIBERDADE PARA A LIBERDADE.



Frei Joaquim Monteiro versus Frei Joaquim de Serafão
Por ocasião das Bodas de Ouro Sacerdotais – Serafão 5 de Julho de 2009
(Testemunho de aluno, conterrâneo e amigo)

Rev.do Pároco de Serafão

Rev.do Frei Joaquim Monteiro

Rev.dos Capuchinhos

Caros conterrâneos e cidadãos presentes


Parabéns pelas suas bodas de ouro sacerdotais, pela jubilação da Universidade Católica Portuguesa, pela vida e presença nesta terra e nesta comunidade.

 Não se trata neste momento tão importante e tão significativo desta paróquia e desta terra recordar as peripécias e façanhas da infância e juventude de um dos seus filhos. Trata-se, antes sim, de dar a conhecer ou a reconhecer às gerações mais recentes alguns passos do percurso biográfico, académico, sacerdotal e pastoral de um homem singular que aqui nasceu em Julho no ano de 1934 e à qual esteve directa ou indirectamente ligado.

O Fr. Joaquim Monteiro, filho de Manuel Monteiro e de Custódia Maria da Costa Ramos, nasceu no lugar de Vilarelho,  freguesia de Serafão,  concelho de Fafe, a 29 de Julho de 1934. É irmão de D. António Monteiro [+2004], capuchinho e Bispo de Viseu. Entrou para o Seminário dos Capuchinhos no Porto a 3 de Outubro de 1947. Vestiu o hábito na Ordem dos Franciscanos Capuchinhos a 1 de Agosto de 1951 em Barcelos e a 6 de Agosto de 1952 fez a sua Profissão temporária dos votos religiosos, emitindo a Profissão perpétua em Salamanca, a 10 de Agosto de 1955. A 2 ou 21 de Fevereiro de 1959, na Catedral de Salamanca, foi ordenado sacerdote por Dom Francisco Barbado Viejo. Fez os seus estudos superiores em Salamanca, de 1955 a 1959, obtendo na Universidade Pontifícia, em 1960, a Licenciatura em Teologia.

Integrou quase sempre a Fraternidade do Porto, tendo passado também por Barcelos e Gondomar. Foi Director das revistas «Paz e Bem» (1960-1969) e «Bíblica» (1978-1987), onde deixou dezenas/centenas de artigos publicados, particularmente nesta última. Foi da sua iniciativa terem-se iniciado na revista BÍBLICA os comentários às Leituras Dominicais, a partir de 1978.

Algumas publicações do Fr. Joaquim Monteiro:

– «Dinamização Bíblica do Povo de Deus», Difusora Bíblica, Lisboa, 1978, 204 págs.;

– «O mistério da Igreja no Itinerário Catecumenal», Telos, Porto, 1986, 96 págs.;

– Alguns estudos científicos publicados em separatas, como: «Eclesiologia e eclesiologias», Porto, 1981, 47 p., in Humanística e Teologia, t. II, f. 1), «Itinerário espiritual de São Francisco de Assis», Porto, 1981, 40 p., in Humanística e Teologia, t. II, f. 3), «O Diabo na teologia e a teologia do Diabo», Porto, 1984, 56 p., in Humanística e Teologia, t. V, f. 1); «A dinâmica mística da Vida Espiritual», Porto, 1987, 48 p., in Humanística e Teologia, t. VIII, fasc. 1.

Esteve ainda na base da elaboração dos conteúdos para o I e II Cursos de Dinamização Bíblica, iniciados em 1975.

Tem dedicado a sua vida, sobretudo, ao ensino, como professor de Teologia, leccionando diversas disciplinas, primeiro no Centro de Estudos da Ordem, no Porto, depois no ISET (Instituto Superior de Estudos Teológicos), criado para os alunos de todos os Institutos Religiosos do Norte, a seguir, no ICHT (Instituto de Ciências Humanas e Teológicas), fundado no Porto para Religiosos e diocesanos e, finalmente, na Universidade Católica, no Porto.

Durante alguns anos foi também director do CER (Centro de Estudos para Religiosas) e, de 1978 a 1981, exerceu, ainda, o cargo de Director dos Estudantes de Teologia da Ordem em Portugal.

Foi eleito Definidor da Província Portuguesa dos Franciscanos Capuchinhos para os triénios de 1975-1978 (III Capítulo Provincial); 1978-1981 (VI Capítulo Provincial); e 1987-1990 (VIII Capítulo Provincial).

Trabalhou em vários Movimentos eclesiais, como os Cursos de Cristandade, a Catequese, as Equipas de Casais e Grupos de Base, entre outros. Tem sido chamado a orientar vários Capítulos Provinciais de Irmãs Religiosas, destacando-se igualmente na orientação de Retiros, quer ao clero, quer a congregações religiosas. Como teólogo, é bastante solicitado, tendo sido encarregado de examinar os escritos da Venerável Irmã Rita de Jesus, em ordem ao processo de beatificação (foi beatificada em Viseu, em 2006).

Ainda como conferencista, tem sido chamado regularmente a dar a sua colaboração nas Semanas Bíblicas, quer nas Semanas Bíblicas Regionais (Barcelos, Gondomar, Porto), quer na Semana Bíblica Nacional, que anualmente se realiza em Fátima.

O Fr. Joaquim Monteiro reside actualmente na fraternidade do Amial, Porto.

 Liberdade e criatividade franciscana

A Universidade Católica (Porto) prestou-lhe, por ocasião da sua jubilação, uma justa homenagem ao Fr. Joaquim Monteiro. O jornal «Voz Portucalense» fez-se eco do acontecimento (16-06-2004). E cito:

 «Frei Joaquim Monteiro consagrou a quase totalidade da sua vida ao estudo e ao ensino da teologia. Gerações e gerações de alunos que ajudou a formar, e que carinhosamente o tratam por “Mestre”, testemunham a sua liberdade e criatividade no ensino e no tratamento dos assuntos. Ao completar setenta anos, Frei Joaquim merece a jubilação pelo seu labor incansável de formar na liberdade e para a liberdade. Nisso, assimilou profundamente o espírito de Francisco de Assis, espírito que transparece em toda a sua vida. O melhor que se pode dizer de alguém que ensina teologia é que é um crente. Tal se pode dizer de Frei Joaquim. E por isso, todas as escolas de teologia que houve no Porto e a que esteve ligado lhe estão gratas por várias dezenas de anos de labor. O trabalho de Frei Joaquim reflecte o seu franciscanismo noutros aspectos, como sejam o esforço de olhar incessantemente para as fontes bíblicas da fé, à procura de Jesus, na simplicidade da sua pessoa e do seu programa, para lá de séculos e séculos de uma tradição, discutível em muitos aspectos. Com essa frescura originária da fé, procurou Frei Joaquim confrontar os seus alunos. Muitos deles agradecem-lhe essa ligação entre teologia e espiritualidade e penitenciam-se de não ter sido capazes de compreender e viver o programa de liberdade, mesmo quanto à forma de prestação de contas de avaliação (exames), que promovia de forma tão responsabilizante.

 A integração de Frei Joaquim no corpo de professores na Faculdade de Teologia e nas escolas que a precederam, no Porto, mostra uma opção pela pluralidade de proveniências de docentes e estudantes, que é uma grande riqueza destas escolas. Isso enriquece muito uns outros. Na hora de ver jubilar-se Frei Joaquim, é justa a gratidão pelo património que nos deixa, e é devida a expectativa de ver continuada a tradição de um contributo de  franciscanismo na Faculdade de Teologia.»
 (Texto de Jorge Teixeira da Cunha)

Como um dos seus alunos nos Institutos já referidos e recordo-os neste momento e já mais tarde na Universidade Católica Portuguesa-Porto, quero aqui, na nossa terra natal e com humildade e coração aberto, testemunhar a minha gratidão e privilégio de o ter como professor e mestre em diversas fases da vida. A par disto, a amabilidade e generosidade de estar presente em alguns acontecimentos importantes da minha vida pessoal e familiar( baptizou os meus filhos já crescidos, na Igreja dos Capuchinhos, no Amial e participou no convívio com outros convidados).
Por tudo isso, muito obrigado e que Deus lhe dê vida e saúde (bem como a sua irmã Margarida) para nos honrar com a sua presença e palavra.

E, para terminar, dizer que apesar de não constar nos anais panegíricos dos Fafenses e Serafonenses ilustres, sempre foi e é, por mérito próprio, um cidadão ilustre desta terra e da justiça de Fafe.
Obrigado pela oportunidade!

Post Scriptum:
(8-5-2025)

Faleceu no dia 7 de Maio de 2015. O funeral realizou-se no dia 8 de Maio, pelas 14h-30m, na Igreja dos Capuchinhos do Amial com missa de corpo presente.
Igreja cheia de crentes, clero, admiradores, antigos alunos capuchinhos, estando presentes alguns serafonenses.

Homem de genuínos valores, culto, fervoroso, devoto, espiritualista, franciscano, inteligente e apologético, exempo de simplicidade e humanismo para os tempos actuais.
Vi-o e revi-o sentidamente no leito fúnebre.

Paz à sua alma.

(Palavras pensadas e escritas, mas não proferidas no tempo e no espaço)





Joaquim Gonçalves Afonso

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