Encontro de gerações/convívio de Serafonenses
Homenagem
Bom dia.
Senhoras e senhores, Caros conterrâneos e Comissão organizadora
Convidado para este encontro/convívio e romagem a este cemitério
promovido por um grupo de cidadãos serafonenses, neste dia e mês, tem como
principal objectivo prestar uma homenagem de gratidão e reconhecimento aos
homens e mulheres que contribuíram generosamente por diversas formas para a
causa pública, progresso social, cultural, material, bem estar e prosperidade
desta terra.
É pretexto singular para um encontro entre o passado e o presente, o
ontem e o hoje, gerações diferentes e para os que aqui repousam em paz - nas
tumbas rasas ou outras (mais sumptuosas) - o nosso profundo respeito e os que
vivos permanecem recordar seus entes queridos através das seus feitos e
memórias deixadas.
Recordar também as instituições e organismos que de alguma forma contribuíram
para o bem comum.
No passado - Serafão - Cellafano - Cellafão - Cerafão
(nome que remonta às origens ou talvez mesmo antes da fundação da nacionalidade
portuguesa), uma terra às escuras, abandonada pelo poder político e homens do
poder instituído, com aglomerados populacionais dispersos, que mal
constava nos mapas regionais e no mapa de Portugal, nos anais de um povo, nos
roteiros turísticos pelo seu ruralismo primitivo e natural, de caminhos
tortuosos e íngremes, um verdadeiro paraíso ecológico, um povo simples, uma
comunidade trabalhadora na faina do linho e do azeite, do milho e do centeio -
que gritem os moinhos desactivadas pelo
progresso contemporâneo e as
tecnologias - da batata e dos legumes, do feijão e do vinho, da água
repartida e orientada segundo regras antigas, da propriedade mini-fundiária de
subsistência, do ferreiro e do sapateiro, do barbeiro e do pedreiro, do
carpinteiro e do comerciante, do proprietário, do caseiro e do jornaleiro, do
cesteiro e da tecedeira, da costureira e do alfaiate, do pastor e do mineiro,
do moleiro, do carteiro/carteira, dos estudantes e jovens, dos cantadores e
tocadores populares, dum regime comunitário singular, dos emigrantes e tantos
oriundos desta terra que nunca renegaram o seu berço, da guerra indesejada e
servil, da religiosidade popular, da alegria das lavradas de Maio e das ceifas
e vindimas de Outono – tão poéticas e ao mesmo tempo tão dramáticas – das
estações do ano sempre renovadas e viçosas.
O que é hoje, Serafão? Contraste
radicalmente com o seu passado arcaico, rural e artesanal, semi - conservador,
dividido entre o respeito e o medo, entre o profano e o sagrado,… muito
submetido às leis naturais e aos rituais cíclicos da vida, imposições
políticas, religiosas e sociais na sua globalidade, não obstante, se
distinguirem cidadãos, homens e mulheres de grande mérito, prestígio e bravura
tal, que mereceram no passado e continuam a merecer hoje, justamente, a nossa
distinção, respeito e perpetuidade.
Mas, falar de Serafão é também falar da carta nunca recebida, do amigo ou parente distante,
dos avós, pais que amaram e amam os seus filhos, netos, do moribundo agonizado
e sem cuidados paliativos, das promessas não cumpridas e eternamente adiadas,
das calçadas cavadas pelos carros de bois chiando nas escarpas dos montes ou
nos caminhos e quelho tortuosos, do rio Torto – das casas simples e sombrias
onde o conforto era uma utopia, das crianças descalças e tão precocemente
condenadas à labuta, dos homens ausentes e emigrados, das mulheres tão
prematuramente viúvas, das mães que nos ensinaram a valorizar o sonho, a
rectidão, a verdade, a dar valor ao trabalho, a enfrentar os desafios e
reconhecer as nossas raízes, a justiça, a religião, a determinação, a escutar e
a ter gosto pela vida e os valores da solidariedade, honra e particularmente da
liberdade.
É falar da sua igreja, das suas capelas, das festas e romarias e também das escolas, dos professores/professoras que heroicamente e com métodos considerados hoje pela pedagogia moderna menos adequados, mas com muita dedicação e amor à causa, muito contribuíram para a nossa alfabetização e alicerces culturais.
É também falar do
tempo em que não havia luz eléctrica, rádio, televisão, telefone, táxi, telemóvel,
internet, frigorífico, fogão, micro-ondas, estradas alcatroadas e outros bens
que tornam a vida actual e o quotidiano mais fácil, da generosidade dos
cidadãos que contribuíram para erigir a cabine eléctrica do Toural (de
Serafão), das pessoas que cederam generosamente o terreno para a construção da
escola de Vilarelho e hoje paradoxalmente capela e do terreno para a residência
paroquial, da candeia ou lampião a petróleo ou a azeite como companhia nas
noites de invernia apocalíptica, do telefone único e distante para a maioria
das populações, do médico e enfermeira ausentes, da saúde adiada, da ausência
de comunicação e transportes, falta de infra -estruturas básicas, de uma
povoação quase isolada do seu concelho e distrito e do mundo em constante mutação.
É falar de um passado humilde de paz e harmonia, de inquietude e incertezas, sobressaltos e irreverências, confrontos semi - pacíficos, incompreensões, tensões e revolta contra a injustiça e a dignidade humana, a opressão e a vassalagem e ao mesmo tempo de um desejo profundo de libertação, de emancipação e progresso.
É, enfim,
recordar todos aqueles (homens e mulheres) que nos precederam e deram o seu
contributo nas mais diversas actividades para o desenvolvimento social e
cultural e progresso democrático.
E, por fim, falar do futuro que já foi ontem e continua a ser hoje “ ad infinitum”.
E, por fim, falar do futuro que já foi ontem e continua a ser hoje “ ad infinitum”.
Beneficiamos actualmente das
mínimas infra - estruturas básicas e essenciais, de casas e aposentos mais
confortáveis e modernos, pese embora alguma descaracterização paisagística
nalgumas zonas, de acessibilidades mais capazes embora insuficientes, de
assistência médica e medicamentosa generalizada, de acesso ao ensino e à
cultura, ao desporto e ao lazer, mas ainda
há muito...muito caminho a percorrer.
Banir discrepâncias e
assimetrias sobretudo a nível dos menos beneficiados, zelar pela segurança,
instrução e bem-estar das crianças e dos mais velhos e aproximar mais e melhor
os cidadãos de causas que promovam o bem comum, a solidariedade, a cidadania e
o progressivo desenvolvimento desta terra.
Unir esforços para legar uma herança honrosa às gerações futuras e a todos os serafonenses aqui ou na diáspora...
Queremos, neste campo
santo, enfim, recordar e demonstrar o nosso profundo reconhecimento e gratidão:
- Aos sacerdotes que paroquiaram a freguesia;´
- Aos professores/professoras e catequistas que nos ensinaram a ler, escrever e contar e os valores da vida, da religião, do cristianismo;
- Cruz vermelha;
- Escuteiros;
- Associações recreativas e culturais - associação Rio Torto e Centro de convívio e lazer de Agrela e Serafão;
- Confrarias e comissões de festas;
- Emigrantes;
- Estudantes e jovens;
• E a todo o povo trabalhador... que
engrandeceu e engrandece esta terra.
E, também aos:
- Soldados e militares mortos nos conflitos da 1ª e 2ª guerras mundiais;
- Ex-combatentes da guerra do ultramar (Angola, Guiné e Moçambique).
Mortos em combate
em França:
Paulino de Carvalho – natural da freguesia de Serafão, era filho de António Luiz de Carvalho;
Paulino de Carvalho – natural da freguesia de Serafão, era filho de António Luiz de Carvalho;
João Moreira –
natural da freguesia de Serafão, era casado com Júlia Fernandes;
Mortos em combate em África:
Mortos em combate em África:
Manuel da Silva –
natural da freguesia de Serafão, era filho de Joaquim da Costa;
João Martins –
natural da freguesia de Serafão, era filho de Casimiro Martins e de Maria
Joaquina Fernandes,
“Bons
soldados da nossa terra, disciplinados, bravos, patriotas, que morresteis na
França, na África e na Alemanha!
Que
exemplo para nós todos!
Que
orgulho de raça!
Que
glória imperecível!
A
todos vós, pois, Salvé!
E
aos vossos, se dor tiverem no coração, que ela se transforme em orgulho”
– O Desforço – 1921
E, termino,
citando a inscrição/frase que se encontra à entrada da capela dos ossos, em
Évora:
" Nós
que aqui estamos, pelos vossos esperamos"
Joaquim Afonso
Joaquim Afonso
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